quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lágrimas


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes – Soneto de Separação

Esse desenho foi feito à caneta mesmo, ontem, numa entediante aula de Geografia.
Sempre tive o costume de desenhar durante as aulas, em mesas, carteiras, apostilas, cadernos, mas quando
a aula é ruim, o desenho chora, ou melhor, eu choro em desenho.

domingo, 12 de junho de 2011

Dia dos Namorados (Juliana & Bruno)





Namorar, sim ou não?

Há quem diga que ser solteiro é melhor do que namorar. Mas é verdade que , no mais íntimo de si, todo solteiro quer viver uma paixão amar e ser correspondido, ter momentos de loucuras somente a dois, alguém confiável e especial sempre pertinho para dar aquele conforto em qualquer momento. E isso só tem quem se dá a oportunidade de se entregar a um namoro.
Outros solteiros orgulhosos e gulosos querem o máximo de aventuras com tantos quanto podem, sendo insensatos e imaturos quando não percebem que nesse contexto, quantidade não condiz com qualidade, pois não há tempo para um envolvimento, conhecimento do outro, ao ponto de fazer crescer uma história de amor.
Desse modo, o resultado é a triste solidão que se instala na fase que mais se precisa de alguém confiável, amigo, amante, pois percebe-se  que na ganância quantitativa não foi possível estabelecer laços afetivos, significativos com ninguém.

E como diz Távola, se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim não pode ter nenhum namorado.
Na prosa “Namorado: Ter ou não ter, eis a questão” de Artur da Távola exemplifica tudo o que eu gostaria de dizer para quem não vive as emoções que um namoro proporciona:

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou ao meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.

Fiz esse desenho especialmente para o dia dos namorados, representa Eu e meu amor, Bruno. O texto também é dedicado a ele, para que ele saiba que ser sua namorada me faz ter todas as sensações maravilhosas e o desejo de nunca perder o encanto de ter um namorado tão especial.

TE AMO!!!

                                   Juliana Rosa

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Só uma folha seca


Olho pela janela de meu templo,
O tempo passa....
Sei que nada posso fazer para impedi-lo.
E assim,como uma folha,
vou secando lentamente dia a dia...

Esse lindo desenho foi feito por minha irmã Adriana Rosa.
Se quizerem conhecer mais da arte dela é só entrar no link abaixo:
http://diannadrica.blogspot.com/


sábado, 4 de junho de 2011

Fora Micarla - Borboleta Violenta


Borboleta Violenta

Não penseis que seja do tempo ou do vento ou da chuva:
nada disso – os jasmins caídos
foram destroçados por uma só borboleta.

Chegou como um invasor, grande, amarela, poderosa,
assaltou com avidez as flores tranqüilas,
brancas em seu leito verde,
deixou-as cair, passou adiante,
saciou-se com desespero,
voou para longe,
desapareceu por outros jardins,
deixou despregadas as pequenas corolas
que rolaram como estrelas
e aí estão perfeitas e brancas,  sem saberem que já estão mortas.

Cecília Meireles

(Dispersos, 1961)

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